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Pedalando na Cordilheira Branca, Peru, Parte 3

Dia 1 – Carhuaz – Quebrada Ulta 11/09/2019 Quarta-feira, era o dia do começo da viagem. Descemos para tomar café…

Dia 1 – Carhuaz – Quebrada Ulta

11/09/2019

Quarta-feira, era o dia do começo da viagem. Descemos para tomar café bem cedo. No café encontramos 3 austríacos que fariam um roteiro bem parecido com o nosso. Eram dois senhores e uma mulher. Eles eram mais velhos, over 60, e iriam com uma van de apoio e todos os mimos incluídos. Tomamos um café da manhã extra, com bastante chá de coca, deixamos as coisas que não usaríamos no hostel e tiramos a tradicional foto de saída.

Em Huaraz

Para variar, as bikes estavam supercarregadas, com roupas, equipamento completo de camping e comida para 2 dias. Eu estava com 2 caramanholas e levaria mais uma garrafa PET de 1.5 l, que acabei deixando fora, tanto por espaço como por peso.

Inicialmente, ainda na fase de planejamento no Brasil, eu pensei em pedalar de Huaraz até Carhuaz (não confundir com Caraz), pela rodovia 3N, e depois tomar a direita pela quebrada que iria até a Punta Olímpica. Depois de ter pedalado pela 3N no domingo, mudamos os planos. A 3N tem muito movimento de vans e caminhões, o que a deixa desagradável e perigosa. Decidimos pegar uma van até Carhuaz e começar a pedalar de lá. Foi a decisão correta. Desmontamos as bicicletas e colocamos no lugar dos bancos traseiros de uma van, pagando 4 lugares pelas bikes. Justo.

Na van, fomos conversando com um senhor peruano que cresceu naquela região mas que atualmente morava em Lima. Ele contava que a redução da cobertura de neve era grande, comparado aos tempos de sua juventude. Que vários picos, antes nevados, já não tinham mais neve.

Em Carhuaz, onde começamos a pedalar

Chegamos à pracinha central de Carhuaz e começamos a montar as magrelas e os alforges. Hora de pegar a estrada. Ligamos os Stravas e seguimos animados pela estrada que passaria pelo povoado Shilla e chegaria até a uma pampa, no sopé da subida à Punta Olímpica, onde acamparíamos. Camping selvagem, a 4.000 m de altitude. Os austríacos, acompanhados pela agência de viagem, também dormiriam lá, o que nos deixou mais tranquilos, pois se precisássemos de algo, teríamos algum suporte.

Depois de Carhuaz, a estada segue asfaltada por quase todo o caminho. Só um pequeno trecho depois de Shilla ainda está em terra. A subida é constante, com raras e curtas descidas. Essa quebrada, perpendicular à Cordilheira Branca, fica num vale verde, com muitas casas de campesinos. Num dado momento passou uma moto com um bauzinho vendendo sorvete em massa no meio dos Andes. Achamos bem inusitado e aproveitamos para tomar um sorvete.

Chegando em Shilla, procuramos um local para comer, mas não havia restaurantes abertos. Compramos umas bananas, amendoim e duas latinhas de cerveja para comemorarmos a chegada ao passo Punta Olímpica, a 4.800 m. Saindo de Shilla, cruzamos com a van dos austríacos. Eles começariam a pedalar dali. E iriam sem carga, pois a van levaria tudo. Tinham um staff de três guias peruanos. Um deles ia pedalando com os austríacos e outros dois iam na van.

As paisagens eram cada vez mais bonitas, com uma mudança na vegetação e já apreciam as primeiras vistas de picos nevados. Um pouco adiante ficava a portaria do parque, onde deveríamos comprar um passe de entrada. Quando chegamos lá, não havia ninguém. Seguimos adiante.

Começaram a aparecer as vaquinhas selvagens que vivem nas altitudes de PN Huascarán. São bem menores do que as vacas que conhecemos e parecem que se adaptaram ao frio e a altitude. Num outro trecho da estrada cruzamos com vacas a mais de 4.500 m. São dóceis e até simpáticas, mas o lado ruim é que tem excremento de vaca por todos os lados, inclusive nos riachos. Ou seja, não dá para confiar na água nem se for corrente e límpida. Só com purificação mesmo.

A paisagem ficava cada vez mais bonita, se abrindo a cada nova curva. Um vale amplo era cortado por um rio de degelo e cercado por picos nevados. Já dava para avistar as curvas da subida do dia seguinte lá na frente.

O zigue-zague da grande subida do dia seguinte já aparece no meio da foto

Eu não sentia os efeitos da altitude, como dor de cabeça e mal estar, mas o desempenho era mais baixo, naturalmente. O Ricardo estava melhor preparado e seguia sempre na frente, de tempos em tempos, parando para me esperar.

Lá pelas 16h chegamos ao local de camping. A referência é fácil, logo após a ponte, do lado esquerdo, antes da subida. É uma área bem grande e plana, recheada por excrementos das vacas. Os austríacos haviam nos passado quando paramos para tirar umas fotos. O staff já estava montando duas barracas grandes (uma de cozinha e outra de jantar) e uma barraca para cada um dos ciclistas. Eu e o Ricardo tínhamos uma pequena barraca de montanhismo, para duas pessoas. É a diferença de ter que levar tudo nos alforjes ou ter uma van de apoio. A mulher austríaca parou para conversar e ficou impressionada sobre como conseguíamos levar tudo que precisávamos somente em dois alforjes.

Baixa gastronomia de alta montanha

Montamos nossa barraca e já preparamos a comida, um miojo quentinho com atum. Antes disso um chá de coca para aclimatar. Depois de arrumar tudo, fomos dar uma explorada na área. Ali também começa uma rota de trekking que vai da Quebrada Ulta até Vaqueria, bem longe dali.

O anoitecer estava muito bonito, com o céu aberto, cercado de picos nevados. A luz do sol iluminava o cume das montanhas. Resolvemos pegar as lanternas e fazer uma passeio pela caminho da trilha. Logo mais a lua cheia apareceu por de traz das montanhas, deixando o visual ainda mais especial.

Hora de entrar na barraca e dormir, pois o frio começava a se apresentar e não tinha muito mais o que fazer. Dormi bem e não passei frio a noite. Acordei as 7h, com a luz do dia. Foram quase 12h dentro da barraca.

Resumo do dia:

  • Distância pedalada: 32 km
  • Ascensão: 1.325 m
  • Ponto mais alto: 3.946 m

Perguntas frequentes

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Beatriz Nogueira

Beatriz Nogueira

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