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Pedalando na Cordilheira Branca, Peru, Parte 1

Quebrada Shilla, rumo a Punta Olímpica Depois da cicloviagem no norte da Argentina em 2017, por atribuições do trabalho, o…

Quebrada Shilla, rumo a Punta Olímpica

Depois da cicloviagem no norte da Argentina em 2017, por atribuições do trabalho, o ano de 2018 passou em branco, sem viagens de bicicleta.

Mas mal começou 2019, eu e meu irmão, Ricardo, decidimos pedalar pela Cordilheira Branca (CB) e já compramos as passagens aéreas para o Peru. A viagem seria em setembro, uma época já não tão fria e ainda antes do início da temporada de chuvas.

Decidido o destino, era hora de planejar o roteiro, coisa que eu geralmente sou o responsável e gosto muito de fazer.

Nossa base seria a cidade de Huaraz, capital do departamento de Ancash. Essa região da CB tem tantas opções que daria para pedalar um mês sem repetir caminhos. Mas como sempre, o tempo e os compromissos com família e trabalho são os limitantes.

Circuito Huascarán

Por fim, escolhemos fazer o circuito Huascarán, uma rota que sai de Carhuaz, sobe pela Quebrada Shilla, cruza o passo da Punta Olímpica, segue a Chacas, cruza o passo Pupash, passa por Yanama, cruza o passo Portachuelo, desce pela Quebrada Llanganuco, chegando em Yungay. Seriam 3 passos de montanha acima de 4.000 m, coisa que nunca havíamos pedalado. Os dois mais altos estão acima de 4.700 m!

Planejamos fazer esse circuito em 4 dias. No papel, considerando quilometragem e altimetria, parecia possível, mas a maioria dos relatos falava de 5 a 7 dias. Como o nosso lema é “paciência e teimosia”, resolvemos tentar esse planejamento.

Huaraz já fica acima de 3.000 m e boa parte do roteiro estaria acima de 4.000 m. Não dá para chegar do Brasil e sair pedalando no dia seguinte. É soroche (mal da altitude) na certa. Por isso, planejamos 3 dias de aclimatação, com dois pedais e uma caminhada.

A Cordilheira Branca

Uma pequena parte da Cordilheira Branca. Foto: Richard Droker

A Cordilheira Branca é uma região ao norte de Lima, com 180 km de extensão (no sentido norte-sul) e ~20 km de largura, com muitos picos nevados, centenas de glaciares em uma região quase na latitude do Equador, lagos de cor esmeralda e quebradas verdes.

Para se ter uma ideia, na CB existem mais de 50 picos acima de 5.700 m (na Europa toda não existe nenhum!). A montanha mais alta da CB e do Peru é o Huascarán, com seus 6.768 m. Ela também é a montanha mais alta do mundo em uma zona tropical.

Tudo isso faz a Cordilheira Branca ser umas das melhores regiões do mundo para a prática de montanhismo, trekking e mountain biking. Se a CB não for o suficiente para as suas aventuras, perto dela está a Cordilheira de Huayhuash, com muitos picos nevados e lagunas de altitude, considerada umas das regiões mais bonitas do mundo para trekking.

Por outro lado, o aquecimento global é uma ameaça crescente aos glaciares. Eles estão retrocedendo rapidamente e alguns picos já estão sem a cobertura de neve que possuíam há poucas décadas. No anos 1970, eram 700 km2 de glaciares. Hoje são cerca de 500 km2. E derretendo…

Paralela à CB, do lado oeste, existe a Cordilheira Negra. Ela tem esse nome pois os picos não são nevados. Entre as duas cordilheiras, fica o vale de Huaylas (ou Callejón de Huaylas, em espanhol). Esse vale é formado pelo Rio Santa, que corre de sul a norte, acabando no Cañon del Pato. O vale de Huaylas é bastante povoado, com muitos vilarejos e uma rodovia bem movimentada.

Do outro lado da Cordilheira Branca, a leste, fica o Callejón de Conchucos, onde passaríamos por algumas cidades e vilarejos. A região de Conchucos é muito mais tranquila e parece que ficou esquecida no tempo. Algumas pessoas somente falam o quechua.

A viagem

Viajamos no dia 07 de setembro, em um voo Latam que saia as 3:50 de Guarulhos. Apesar do horário ruim de saída, ele chega em Lima as 7:00. Daria tempo para pegar os ônibus que saem pela manhã rumo a Huaraz.

O embarque foi tranquilo, somente tivemos que pagar uma taxa de ~US$ 50 para embarcar cada bicicleta no mala bike.

Lima tem duas (pelo menos) rodoviárias, a Plaza Norte e a Javier Prado (zona sul). A Plaza Norte fica bem mais perto do aeroporto de Lima. E normalmente os ônibus para Huaraz saem da Javier Prado e passam na Plaza Norte para pegar os passageiros. Comprei as passagens de ônibus pela internet, pela companhia Cruz del Sur. A passagem dizia que o embarque era na Javier Prado. Entrei em contato com a empresa e eles me falaram que poderia embarcar na Plaza Norte também. Muito mais prático.

Trocamos uns dólares por soles peruanos no aeroporto mesmo. A taxa não era muito diferente das de outros lugares. Arrumamos um táxi SUV em que caberiam as duas malas bikes e rumamos à Plaza Norte.

Chegamos na rodoviária as 8:00 e o embarque seria somente as 10:00. Deixamos as magrelas no guarda-volume e fomos visitar um mercadão, que fica ao lado. O mercado ainda estava abrindo, mas deu para tomar uma sopa de galinha com mote (um milho branco do tipo canjica, só que bem maior).

Na hora marcada, chegou o ônibus. Nosso assento era no segundo piso, na primeira fileira, com vista privilegiada da paisagem. O ônibus era muito bom, com poltronas largas e bem reclináveis. Tinha até rodomoça, lanche de bordo, cobertor e travesseiro.

O ônibus partiu pelos pela Panamericana Norte, margeando o litoral. A periferia de Lima é bem pobre, com construções sem reboco, com muitos toritos (tuk-tuks) e carros buzinando. Um caos urbano. Para piorar primeira impressão, Lima no inverno vive coberta por uma névoa que não deixa ver o céu ou mesmo o sol. A cidade fica toda cinza.

Diferente do Brasil, onde chove muito na costa, a costa peruana é desértica. Praticamente não chove nunca. A pouca vegetação existente recebe água através da condensação da garoa.

O ônibus segue pela Panamerica até a cidade de Pativilca, onde toma a direita, subindo por quebradas verdes e cultivadas. Depois de serpentear por horas, chegamos ao passo de Conococha, a 4.100 m. Lá existe uma laguna com o mesmo nome, que dá origem ao Rio Santa, que por sua vez forma o vale de Huaylas e Cañon del Pato.

Visão da poltrona do ônibus

A primeira visão da Cordilheira Branca

A paisagem muda completamente. Os primeiros picos nevados da Cordilheira Branca já aparecem no horizonte. Um mais impressionante do que outro. Ficamos tentando adivinhar qual é o Huascarán, mas ele está bem mais ao norte.

O ônibus vai passando por vilarejos com nomes que já remetem a aventura: Catac, Recuay, Collahuasi e assim vai. Um pouco mais e já estávamos em Huaraz. O ponto final da Cruz del Sur é no centro da cidade. Descemos as bikes e arrumamos um carro para chegar até o hostel, que já estava reservado.

Chegando no Jo’s Place Hostel, descobrimos que eles tinham feito uma confusão com a reserva e que o local estava cheio. Com um pouco de conversa, arrumaram um quarto para nós no Alpamayo Guesthouse, administrado pela mesma família.

Foi tempo de chegar, montar as bicicletas para o dia seguinte, sair para jantar e tomar uma cerveja artesanal local. Afinal, havíamos chegado na Cordilheira Branca.

Outros relatos de cicloviagens

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Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Pedalando na Cordilheira Branca, Peru, Parte 1”?
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Beatriz Nogueira

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